segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Educando uma criança de 2 anos

Este post é para responder a pergunta da Luciana.
Demorei um pouquinho, mas aqui está!

Ela escreveu:
"Queria te fazer uma pergunta, vc ja precisou colocar a Julia de castigo? Tenho tanto medo de educar/castigar e fazer errado, reprimir demais, ou deixar correr solto demais! Muito difícil! Era uma opinião que gostaria de saber, voce é uma excelente mãe sua dicas me ajuda bastante" 
"não quero criar minha filha com palmadas, broncas, e ela esta entrando numa fase tão especial que esta se conhecendo não consigo explicar, mas é como se estivesse criando sua personalidade, suas escolhas e não quero errar a corrigindo sem necessidades e nem perde a paciência com ela.... medinho de educar errado rsrsrs!"

Bom, meninas, vou escrever aqui a maneira como nós fazemos aqui em casa. Não é uma fórmula nem uma lição, apenas a nossa experiência criando uma menininha de personalidade bem definida, o que tem funcionado para a nossa casa.
Tenho a sorte de ter uma mãe que tem experiência vastíssima no assunto. Ela é professora, sempre gostou, sempre trabalhou com educação infantil e tem pós-graduação em psicopedagogia. Então muitas vezes quando me vejo GREGA em alguma situação, ligo para ela e recebo dicas valiosas!

Uma coisa que minha mãe sempre falou, desde antes de eu ter filhos, foi que as crianças nos testam desde o dia em que nascem. É assim que elas aprendem. Cabe a nós dizer o que é certo e o que é errado, pois eles simplesmente não nascem com essa capacidade e impor limites.
E essa é a mais pura verdade. Desde que nascem nós é que temos que ensinar que existe hora para mamar,  hora para dormir, colocar horários para as coisas senão nós mesmas enlouquecemos com uma criancinha que não tem hora para nada! Lógico que nada acontece de uma hora para outra, as situações vão mudando e as mudanças são graduais.

Crianças que tem limites e rotinas bem definidos são mais felizes. Elas precisam disso para saberem que tem atenção dos pais e não se sentem inseguras.
Outra coisa importantíssima é que haja acordo entre os pais e demais responsáveis pelo dia a dia da criança. Todos tem que falar a mesma língua, pois se cada um age de uma maneira nas mesmas situações, a criança fica confusa e não sabe qual é a forma correta de agir. Como consequência disso, acaba tomando bronca dos que preferem que ela faça as coisas diferentes e não entende nada do que está acontecendo! Essa é uma regra de ouro, falar a mesma língua! Fale com o marido, com a babá e quem mais que cuide do seu filho, para que tenham a mesma linguagem.

A Julia é uma criança que sabe bem o que quer, bastante independente e muito tranquila. Como não tenho as facilidades que as outras mamães têm, de ter os pais e sogros que moram na mesma cidade, não tenho muito com quem contar além da babá! As únicas pessoas da família que moram aqui em Curitiba são os irmãos do Alexei, um é solteiro e o outro e a esposa têm 3 filhos. Portando, não dá para ficar contando com eles com muita frequência! Por isso sempre tento incentivar a independência da Julia e inserir algumas responsabilidades que ela possa ter no dia a dia.
Ela já leva a mamadeira na cozinha quando termina de mamar, ajuda a guardar os brinquedos antes de ir dormir ou antes de sairmos de casa, coisinhas assim, mas que a fazem se sentir muito importante. Sempre que ela faz essas coisas, eu agradeço, digo que é muito educada e faço uma festinha, é importante demonstrar a "grandeza" do que a criança faz, por menor que seja. Ela fica toda orgulhosa! Essas são sementinhas para as responsabilidades maiores que virão conforme ela cresce. Essas coisas não são difíceis de ensinar, desde que você comece cedo e que as pequenas responsabilidades acompanhem as fases da criança. Não adianta querer ensinar uma criança a guardar os brinquedos se ela ainda não consegue entender o que é isso! Tudo tem a hora certa e cada mãe e pai conhece bem seu filho para saber o que dá e o que não dá.

É lógico que nem tudo são flores. Ela tem seus dias rebeldes e eu também tenho os dias em que a paciência falha! E assim vamos aprendendo, no dia a dia. Respirar fundo e parar para pensar ajuda bastante!

Acho que a maior pergunta da Luciana é sobre aqueles dias em que parece que as coisas fogem do nosso controle. O que fazer? Bem, vou contar como eu faço aqui em casa.
Eu sempre procuro conversar. Mas tem horas que a criança faz uma birra imensa e chora sem parar. E isso acontece pelos mais diversos motivos, desde colocar uma roupa diferente da que ela quer, até a hora de escovar os dentes ou de ir dormir.
Eu me sento no chão com ela, e falo que ela tem que parar de chorar para a mamãe conversar com ela. Às vezes ela para logo e escuta, mas algumas vezes ela insiste no choro para tentar me dobrar. Mas são nessas situações que a gente não pode ceder em hipótese alguma!! Por isso é sempre bom pensar muito bem antes de falar o que pode e o que não pode. Você não pode voltar atrás!!! Basta uma vez para a criança perceber que a birra funciona.

Se ela não para de chorar (lembrando que isso é para o caso de birras!), eu ofereço uma moeda de troca (jeitinho bonito de falar chantagem, às vezes precisamos mesmo). Digo que se ela não parar de chorar vou pegar alguma coisa que ela gosta muito, (atualmente é a fantasia de branca de neve que ela usa to-dos-os-di-as) e que vou guardar e amanhã ela não vai poder brincar com ela. Ou se está tocando uma música que ela gosta, digo que se ela não parar de chorar para conversar com a mamãe, vou desligar a música. Geralmente funciona maravilhosamente.
E quando não funcionar, você tem que fazer mesmo o que disse. Guarde o brinquedo, desligue a música, o que for. Dá dó? Dá sim, mas esse é o momento de ser firme e mostrar que estamos falando sério. Isso é bom para o desenvolvimento da criança. E nunca grite e nem seja agressiva, sempre procure conversar calmamente e na hora de se impor falar com um tom firme. Gritar impõe medo, nunca respeito e isso vale para sempre.

Quando a criança parar de fazer birra, converse, explique, tenha calma, fale docemente. A criança irá entender. Nessa idade eles já entendem quase tudo que falamos. Use um pouquinho da fantasia para manter a atenção. Por exemplo, quando ela não quer ir dormir, digo que já é a hora de nanar para descansar e poder brincar mais amanhã, digo que o anjinho já está nanando. Abro a janela, mostro as nuvens no céu e digo que lá é a caminha dele e que ele fica muito feliz quando a Julia obedece a mamãe e que quando ela chora e faz birra, ele fica triste. Ela se interessa, para de chorar para fazer perguntas. Assim a gente consegue conversar. Falar de forma muito formal e adulta faz com que eles percam o interesse da conversa.

Você tem sempre que pensar na imagem que quer que a criança tenha de você quando crescer e agir conforme tal. VOCÊ é o exemplo máximo para ela. Isso vale para sempre, desde a infância até a adolescência.

Quando ela era mais novinha e não podia entender que se não obedecesse ia tirar o brinquedo, eu simplesmente falava "não" e a colocava em outro lugar. Até hoje nunca a coloquei de castigo, acho que ela ainda não tem idade para entender como isso funciona, então o que faço é usar a moeda de troca nas situações de crise.

Bem, isso é o que pude me lembrar agora, mas cada situação é única e cada criança é única. Temos que observar e aprender com elas. Só quem convive e cria a criança sabe realmente o que vai funcionar em cada caso.
Essa é a minha experiência, espero que tenha ajudado!

Beijos!!



4 comentários:

Unknown disse...

Sem palavras... estou começando a viver essas coisas e me sinto perdidíssima... Isso, que meu rebento tem 1 aninho só!!!

Muito bom ler experiências alheias... nos acrescenta muito!!!

http://tagarelinho.blogspot.com.br

Jacky Chimchek disse...

Heyy Maya, esse comentário é sobre o post anterior, mas..onde você marcou sua ecografia de TN?quem é a dra. S? Tambem sou de Curitiba e estou pra marcar a TN, queria meesmo uma indicação de algum lugar confiável com boa médica =)

Estou te seguindo, beeijos!

Anônimo disse...

Maya confesso que as vezes fico impaciente e grito com ela, percebo na hora que ela fica com medo e muito triste, me pede desculpa,mas meia hora depois volta a fazer o que estava fazendo de errado. Ela é muito inteligente, ontem eu dei uma bronca nela e ela com seus 1 aninho e 10 meses me disse " mamãe você é enjoada briga comigo toda hora" quase morri de arrependimento e de tristeza,vejo que por trabalhar o dia inteiro chego em casa cansada e quero ficar o tempo com ela, sinto que ela que toda minha atenção mas o cansaço do trabalho me deixa impaciente e é nessas horas que eu sei que preciso me controlar para ter toda paciência do mundo com minha pequena, temos um relacionamento muito bom, quero muito que ela me veja como sua mamãe e amiga!
Maya muito obrigada por tudo, não sabe o quanto eu aprendi com sua postagem.
Um grande abraço!
Luciana

Letícia disse...

Parabéns pela gravidez! Agora que estou passando aqui depois de mt tempo e fiquei sabendo da novidade. Vim buscar umas dicas sobre introdução dos sólidos na alimentação do bebê pq estamos nesta fase aqui. É um pouco difícil mas nada que paciência e persistencia não resolvam. E a Julia como vai? Bjos